quarta-feira, 23 de abril de 2008


O DESEJO DAS VITRINES

Quem procura uma hora acha! Elas estão sempre em nossas visões. A transparência do vidro divide essas mídias de um modo curioso: de um lado, o ilusório e o inatingível; o acessível, de outro lado, quando o objeto vem a nós e a ele agregamos um valor de uso. Ficamos desesperados e querendo pegar aquilo atrás do vidro. As Vitrines são espaços diversificados, do mágico ao lúdico, do sensual ao estético, criam narrativas inesperadas e imagens que mostrem a nós um desejo.

Sei que muitas vitrines deixam a nossa consciência confusa. Elas são como um palco onde se monta um cenário e no qual as mercadorias desempenham o papel principal. A execução de uma vitrine exige criatividade e bom gosto de modo a criar um ambiente, uma “atmosfera” que estimule a venda do produto, além de conferir à loja uma personalidade própria, o que permitirá fugir do lugar comum, isto é, sobressair entre as demais. Ela encerra uma forma de comunicação visual, e deve transmitir uma mensagem ou um sentimento, como alegria, drama, sátira, romance, cultura, humor e que possam ser facilmente assimiláveis.
Sempre uma vitrine mostra uma reflexão do impacto e efeitos de um projeto estético no comércio. Sensibilizar os comerciantes para essa visão, ou seja, de como a vitrine pode contribuir no sucesso do seu negócio, elaborando e em seguida executando é sem duvida o objetivo do Visual Merchandising. Normalmente as pessoas preocupam-se em fazer uma vitrine, sem se preocupar para quem é essa vitrine, e isso é o mais importante. Tanto faz se o produto é moderno, clássico, altamente sofisticado ou mais simples, tem de identificar o seu produto e para quem ele é.

Toda a sua montagem exige um planejamento prévio relacionado à definição do tema a ser desenvolvido e à seleção das mercadorias, cores e o material a ser empregado. O nosso trabalho de pesquisa é constante desde um passeio pelo ferro velho da cidade e até voltas na praia ou no campo em busca de elementos naturais que possam ser utilizados.
Depois de todo esse processo é também nessas construções que as grandes marcas investem, por intermédio de marketing ou das vitrines. As Empresas se preocupam mais intensamente com sua apresentação visual, pois o seu capital simbólico é a própria marca. Ninguém consome distribuição, comercialização, comunicação, mas sim o valor do objeto, o atendimento da loja, o serviço que o acompanha, a história do produto e suas qualidades. Tudo isso faz parte de uma vitrine.

A marca é a identidade e para que exista identidade deve haver diferenciação. Essa identidade simplifica a eleição porque instala um vínculo, uma comunicação bidirecional que lhe dá sentido único. Alcançá-la é sinônimo de legitimidade, credibilidade, afetividade e personalidade. A identidade sintetiza todo o nosso esforço por construir uma coisa que podemos chamar de mil formas (objeto+produto+serviço), mas que, em definitivo, não é outra coisa do que satisfazer uma bela necessidade: Comprar.

Para você, Empresário ou Visual merchandising, ao defrontar-se com os mimos urbanos deve-se pensar em organizá-los de modo a promover a sua visibilidade numa escala maior em relação ao contexto em que se inscrevem. As lojas são, ou deveriam ser, lugares cheios de vida, repletos de possibilidades de trocas e de encontros. A fachada de uma loja era considerada o elemento mais importante de visibilidade. Hoje, constroem-se estratégias que visam demarcar o todo da loja: a Vitrine. Devem estar com os displays e iluminações excepcionais, deixando-as especiais tanto em lojas comuns quanto de departamento, exposições ou feiras comerciais. De qualquer modo, são os atuais atores sociais representados pelos consumidores que olham uma vitrine em média não mais que por dez segundos e mesmo assim é responsável por 70% das vendas em uma loja, que fazem os departamentos das empresas responsáveis pelas marcas trabalhar, pesquisar, e mostrar o que esses atores querem ou necessitam, pois eles são condutores da economia ou do marketing.

Todo visual merchandising deve ser um catalizador de poderes que de um lado tem o produto e, de outro, o consumidor, para o qual criará a encenação que deverá ser uma cenografia que apresente algo com sentido, mostrando as tendências da moda ou da estética visual. Para isso, nós precisamos de tempo para pensar, refletir, experimentar, crescer e criar instalações visuais para uma sociedade cada vez mais intelectual e mutante, que já possui certas crenças e saberes, mas que nem por isso não está disposta a querer mais.

O trabalho de um vitrinista ou visual merchadising é simplesmente de sedução e tentação. Um sujeito organizado, atualizado, um contemporâneo. Que tenha consciência do passado e olho no futuro. Muitos acham fácil e que não é um trabalho e sim uma diversão. Trabalhar com aquilo que se gosta é realmente um prazer, mas tudo tem que ser avaliado e aprovado. Um verdadeiro quebra-cabeça do marketing visual para as marcas ou comércio, pois o caso é agradar e seduzir o consumidor e que veja no produto algo que lhe seja necessário.
Enfim, as vitrines se tornam uma leitura do urbano, uma viagem aos estilos de cada cidade, a cristalização de um tempo fugaz.